Funçao Sintatica Do Pronome Relativo
A função sintática do pronome relativo é um dos pilares fundamentais da construção frasal no português, determinando como e onde o pronome se insere na oração. Pronomes relativos como que, quem, o qual, a qual, os quais e cujos atuam como conectores entre orações, substituindo substâncias já mencionadas e evendo repetições. Compreender a função sintática desses elementos permite dominar a organização lógica e gramatical das frases, desde orações definidas até períodos complexos, sendo essencial para a clareza, coesão e fluência na escrita e na fala.
O que é a função sintática do pronome relativo
A função sintática do pronome relativo pode ser entendida como o papel gramatical que o pronome exerce dentro da oração subordinada adjetiva ou adverbial. Em sua essência, o pronome relativo substitui um núcleo anterior (anterior) e, ao mesmo tempo, desempenha uma função compatível com a de um pronome pessoal ou de uma palavra substantivada dentro da oração que o introduz. Dessa forma, o pronome relativo não aparece isolado, mas sim integrado a uma estrutura que liga informações, preenche lacunas de sentido e garante coesão textual.
Basicamente, o pronome relativo surge após uma vírgula ou uma partícula que sinaliza subordinação, vindo acompanhado de um verbo que completa o sentido. Sua posição inicialmente pode parecer confusa, mas a identificação da sua função ajuda a desvendar o sentido global da frase. Veremos a seguir as principais funções que ele pode assumir, cada uma com responsabilidades gramaticais distintas, mas complementares.

Função de sujeito na oração subordinada
Quando o pronome relativo exerce a função de sujeito na oração subordinada, ele é o termo central que realiza a ação do verbo ou sobre o qual o verbo versa seu estado. Nesse caso, o pronome substitui diretamente o sujeito da oração principal que foi nomeada anteriormente. Trata-se de uma das funções mais comuns e diretas, garantindo a continuidade lógica sem necessidade de repetir o núcleo nominal.
- Exemplo prático: O livro que está na mesa é meu. → O livro (sujeito da oração principal) é substituído por que, que torna-se o sujeito da oração subordinada (que está na mesa).
- Exemplo prático: A menina quem vi no cinema é minha amiga. → A menina é o sujeito indicado, e quem assume a função de sujeito na suboração (quem vi).
Nesses casos, o pronome que ou quem age como o sujeito executor ou receptor da ação, sendo imprescindível para a formação da frase subordinada. Sem ele, a ligação entre as orações seria truncada ou ambígua.
Função de objeto direto, indireto ou complemento nominal
Outra função sintática do pronome relativo muito frequente é atuar como objeto direto, objeto indireto ou complemento nominal dentro da oração subordinada. Nesse cenário, o pronome substitui um núcleo que está no núcleo que recebe a ação do verbo (objeto direto), a quem se dirige a ação (objeto indireto) ou participa de uma estrutura nominal mais ampla (complemento nominal).
- Objeto direto: A casa que comprei é nova. → que substitui "a casa" e é o objeto direto de "comprei".
- Objeto indireto: O presente para quem comprei foi você. → quem recebe o objeto indireto, substituindo "você” após a preposição “para”.
- Complemento nominal: O Rio de Janeiro, cujo clima é agradável, é uma cidade maravilhosa. → cujo forma o núcleo "cujo clima", sendo "clima" o complemento nominal do pronome.
Nesses casos, o pronome relativo pode vir acompanhado de preposições ou de núcleos que o completam, como em "a qual solução", "nas quais horas", "do qual livro". A clareza depende da capacidade de identificar se o pronome está substituindo um objeto, um indireto ou um complemento, funções que seriam ambiguamente interpretadas sem seu uso estratégico.
Substituição de núcleos comuns e regência
Além das funções já mencionadas, a função sintática do pronome relativo também se manifesta na sua regência e na compatibilidade com os núcleos que substitui. O pronome deve estar gramaticalmente compatível com o núcleo anterior em número (singular ou plural) e, quando exigido pelo verbo ou pela construção, em gênero (masculino ou feminino). A regência pode ser determinada pelo próprio verbo, pela preposição ou pela estrutura nominal, exigindo atenção ao escolher entre que, o qual, a qual, os quais e cujos.
- Regência com preposição: A mesa sobre a qual coloquei o livro está bagunçada. → Aqui, a qual substitui "a mesa" e é regida pela preposição "sobre".
- Concordância de gênero e número: As músicas que ouço são sempre alegres. → Mesmo no plural ("músicas"), o pronome que se adapta em número e mantém a função de objeto direto.
- Substituição de adjetivos possessivos: O carro cujo dono faleceu estávelado. → cujo estabelece a posse relativa a "carro" e age como um adjetivo, concordando em gênero e número com o substantivo possessivado.
A correta identificação da função sintática do pronome relativo evita erros de concordância e torna a frase mais precisa. É comum confundir quando usar que, o qual ou a qual, mas a análise da função (sempre sujeito, objeto, complemento ou intermediado por preposição) define a escolha gramatical e estilística adequada.
Dicas para identificar a função do pronome relativo
Dominar a função sintática do pronome relativo exige prática e atenção a alguns padrões recorrentes. Uma estratégia eficaz é converter a oração subordinada em uma oração principal, substituindo o pronome pelo núcleo que ele representa e verificando a função gramatical que ele exerce. Esse teste ajuda a esclarecer se o pronome é sujeito, objeto, complemento ou parte de uma locução nominal.
- Localize o pronome relativo: Comece identificando a palavra que une as orações, geralmente aparecendo após uma vírgula ou depois de um núcleo definido.
- Substitua o pronome pelo núcleo: Troque o pronome (que, quem, o qual) pelo substantivo ou pronome que ele substitui na oração principal.
- Analise a função na nova oração: Veja se o termo substituído é sujeito, objeto, complemento ou participa de locução. A função que surgir será a mesma exercida pelo pronome relativo.
- Verifique a regência: Confira se o verbo ou a preposição exige um caso determinado (objeto direto, indireto, etc.) e se o pronome está compatível com essa regência.
Essa abordagem metodológica ajuda a dominar a função sintática do pronome relativo em diferentes contextos, desde orações simples até períodos mais elaborados. Com familiaridade, a escolha do pronome e a identificação de sua função tornam-se intuitivas, melhorando a clareza e a expressividade da comunicação escrita e falada.
Perguntas frequentes sobre a função sintática do pronome relativo
Abaixo, oferecemos respostas rápidas para dúvidas comuns sobre o uso e a identificação da função sintática do pronome relativo.

Como identificar a função sintática de um pronome relativo em uma frase?
Para identificar a função, substitua o pronome pelo núcleo que ele substitui na oração principal e analise o papel gramatical desse núcleo. Se for o sujeito do verbo, o pronome também será sujeito. Se for objeto direto, o pronome será objeto direto. A regência e a posição na frase ajudam a confirmar a função.
Posso usar "cujo" para substituir coisas, não apenas pessoas?
Sim, "cujo" é um pronome relativo de posse que pode se referir a seres vivos ou a objetos, desde que haja uma relação de posse ou característica. Por exemplo: "O carro cujo motor quebrou" ou "A casa cuja porta está quebrada".
Quando devo usar "o qual" em vez de "que"?
"O qual" é geralmente usado em orações subordinadas adjetivas que começam com preposição, em orações não restritivas ou em linguagem mais formal. Já "que" é mais comum em orações restritivas e fala. A escolha depende do estilo e da regência.

O pronome relativo pode ser omitido em alguma situação?
Sim, em português, o pronome relativo pode ser omitido quando desempenha função de objeto direto e a oração subordinada é restritiva. Exemplo: "O livro (que) comprei está aqui". A omissão é mais comum na fala e em estilos informais, sem alterar o sentido básico.
FUNÇÃO SINTÁTICA do PRONOME RELATIVO || Prof. Letícia Góes
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